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The freewheeling

domingo, 12 de fevereiro de 2017

  Acho que passei minha vida inteira tentando colocar em palavras aquilo que meus olhos viam. Uma necessidade incansável de retratar o que as experiencias sinestésicas, físicas e emocionais me causavam. É uma tarefa muito árdua, narrar e descrever tudo isso e fazer com que quem leia sinta da mesma forma que você. "Ser" por si só é um ato solitário, apesar de sempre querermos e precisarmos de alguém segurando nossa mão, "ser" não é assim.
  Hoje percebo que somos como um barco em alto mar, por vezes velejamos para longe, por vezes para perto, as vezes nos perdemos em tempestades ou até mesmo em nossas próprias rotas. Podemos estar ancorados, ou quem sabe atracados em algum cais por ai. Alguns naufragam, já outros tem uma existência plena e se aposentam por velhice. O sal do mar nos corroí o casco e os avanços dos tempos fazem nossos aparatos, tecnologia e saberes coisas do passado, podemos tentar nos atualizar, mas cada vez se torna uma tarefa mais difícil.
  Gostaria que minha existência fosse tão física quanto um barco, retrata-la seria muito mais simples. Mas é diferente, a existência é algo intangível, invisível, impalpável. Buscar sentido nisso tudo é muito difícil também, nos dias atribulados reclamamos de muitas tarefas, já aos domingos quando podemos aproveitar o dia e assistir ao entardecer em paz, reclamamos do marasmo de viver.
  As ideias estão perdendo o sentido por aqui, vou encerrar e dormir. Até logo.