.

The freewheeling

sábado, 4 de abril de 2015

sobre quando você acorda no meio da noite!

   Acabei de acordar de um pesadelo, um besadelo macrabo, acabei de acordar ensopado de suor gelado, suor de medo e terror. No meu pesadelo estou em uma casa, ou uma estrutura de uma casa, apenas paredes por todos os lados, sem telhado, sem janelas e portas, apenas paredes para todos os lados. Não consigo ver o horizonte, sempre há uma parede na frente para me atrapalhar. Eu tenho apenas uma blusa velha para me aquecer, essa blusa está bem surrada, bem suja, mas ela me ajuda, ela me salva. O vento corta meu rosto, com força, eu sinto a dor dos cortes secos. Eu ando constantemente por essa casa, ando e ando sem parar, as paredes ora são grossas, ora são finas. Eu já estou cansado de andar pela casa e não achar uma saída, estou cansado desse vento infernal que não para. Uma voz ecoa pela casa, uma voz doce, reconfortante, acolhedora, ah que voz! A voz parece ser a minha solução, finalmente, há alguém vindo para salvar a minha vida! Talvez agora eu durma, talvez eu morra, talvez eu tenha paz, essa miséria será suficiente? A voz continua, ela ecoa e se comunica comigo, eu grito em resposta, grito com força, meus pulmões e minha garganta doem, mas eu grito e grito! Ela continua me respondendo, o vento é gelado, muito gelado.
  Então a voz para, a voz termina seu discurso, a voz finaliza me pedindo, algo muito importante, talvez o mais importante da minha vida, ela me pede meu casaco, meu único casaco, a única coisa que me mantem vivo nessa casa de tormenta e fúria. Eu hesito, mas não resisto, a voz é mais forte do que eu, a voz é promessa de vida nova, ela insiste, pede minha blusa, eu tiro, a levanto no ar, o vento sopra mais forte e eu solto. Minha blusa, ela voa pela casa, batendo em paredes, indo de um lado para o outro, eu assisto a tudo isso, até que ela sobe, sobe, sobe. E some, o vento levou minha blusa embora. Minha única blusa. Agora eu estou sozinho na casa, sem blusa com o vento me petrificando e a voz se foi. Eu grito, eu imploro, mas nada da voz voltar. A voz se foi com minha blusa, a casa, as paredes geladas e o vento ficara comigo. Meus sonhos não são o que deveriam ser... como estou desabando....

Nenhum comentário:

Postar um comentário