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The freewheeling

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Rua Tomé

Carla nasceu em um cortiço no Tatuapé, sujo e propicio para as piores influencias. Durante a noite tinha medo de dormir, nos cantos das paredes encardidas no pequeno quarto ela podia ver ratos indo e vindo, aquilo a aterrorizava. Seu pai trabalhava como servente de pedreiro e tinha problemas com o álcool. Sua mãe era empregada e fumava como uma chaminé. A pobre menina cresceu com seus irmãos, os dois mais velhos eram responsáveis por cuidar dos três menores.
 Cresceu muito cedo, com 10 já fumava cigarros roubados da mãe, e aos 15 já se prostituía. Nunca teve noção do certo e do errado, havia apenas um caminho a trilhar. Assim fixou ponto na rua Tomé Alves, era deserta e havia algumas fábricas, no horário do almoço os homens enchiam as barrigas e esvaziavam os bolsos. Sua rotina era ir para o ponto, fazer o serviço e receber. Um dia então voltando de noite, um homem a encurralou. Ela disse seu preço, o homem riu e a esbofeteou e pelos cabelos a arrastou para o mato, abusou dela enquanto apertava o pescoço. Ao terminar ele se levantou e deu as costas, ela encontrou uma garrafa quebrada por perto, e com a mesma desferiu um golpe certeiro na lateral da barriga. Ele caiu, ela então o cortou mais diversas vezes, arrastou seu corpo para o matagal, esvaziou os bolsos, cuspiu com ódio e partiu.
 Agora ela chegava na rua Tomé já a noitinha, e na verdade a muito tempo não precisava mais exercer sua antiga profissão. Manteve o ponto e até recebia clientes, mas encontrou uma maneira mais eficiente para conseguir seu dinheiro: uma navalha e bolsos vazios.
(mais um dos trabalhos rejeitados!) 

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