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The freewheeling

sábado, 24 de agosto de 2013

Reflexão

  Desde muito tempo eu sempre impus objetivos distantes na minha vida, um mais longo que o outro, e ao meu ver todos eles eram bem difíceis de serem alcançados. Objetivos difíceis me faziam viver cada dia pensando neles. O que mais me atraia era a distancia, ir longe, ver o mundo, conhecer cidades e pessoas, e foi isso que eu fiz, viajei, andei, e foi incrível não trocaria minhas experiencias por nada e acredito que ainda terei várias novas experiencias únicas.
  Para atingir tais objetivos não pude parar minha vida e depois continuar. Eu vivi cada dia mas minha cabeça estava no objetivo e ai eu errei, esqueci do hoje, vivi o amanhã. Apesar de sempre estar bem-humorado, e de bem com a vida, me tornei um cara frio... não frio com minha família e meus velhos amigos, mas frio com as novas pessoas que entraram na minha vida, a partir de um certo período nasceu um bloco de gelo. Claro que eu não percebi isso antes, eu apenas via o objetivo e apesar de essas não serem minhas palavras e de não ter ouvido esse conselho, era mais ou menos isso que eu pensava: "A alegria da vida vem de nossos encontros com novas experiências e, portanto, não há alegria maior que ter um horizonte sempre cambiante, cada dia com um novo e diferente Sol. Se você quer mais de sua vida deve abandonar sua tendência à segurança monótona e adotar um estilo de vida confuso, de inicio, vai parecer maluco para você.". 
  Que vida incrível essa, sentirei saudades de casa, dos amigos, mas logo eu volto e nós podemos conversar alegremente sobre as idas e vindas da vida. Posso dizer que nesse ano atingi os dois maiores objetivos que impus quando terminei o colégio, os dois rolaram meio que ao mesmo tempo, e agora? Agora você tem uma cabeça, e um bolso vazios. Pense em tudo que você sacrificou e por onde você andou... pense no que você deixou para trás e no que você tem hoje!
  Experiencias enormes e lugares jamais sonhados, mas e quando deitar a cabeça no travesseiro dá pra dormir? Não, não dá, como diz a canção: "One life, one chance, gotta do it right!". Eu fiz certo? Depende, fiz e não fiz, aonde eu poderia ter feito diferente? Não sei,  minha cabeça ainda não organizou as ideias. E ai eu chego num ponto crucial, "A alegria da vida...". Eu sou alegre? Sou feliz? E vou me apropriar de uma outra citação: "E assim se concluiu que somente uma vida semelhante à vida daqueles ao nosso redor, mesclando-se a ela sem murmúrio, é vida genuína, e que uma felicidade não compartilhada não é felicidade [...] e isso é o mais perturbador de tudo". 
  Fui feliz em atingir meus objetivos, como eu disse foi incrível tudo aquilo, mas eu estou sozinho e que felicidade é essa que não posso ao menos comemorar com alguém? Hoje voltei para minha casa, se eu não posso ter alguém para mim, vou ter quem sempre me teve para eles, vou compartilhar minha felicidade com minha família, abri mão de um sonho para estar aqui... prefiro ser um homem feliz a ser um homem realizado e vazio... quando eu escrevi um conto chamado "O conto do homem solitário" eu falava de mim mesmo, não quero voltar a escrever um auto-retrato monótono e infeliz, vou ser feliz com o que tenho, do jeito que eu posso.

"Mais que amor, dinheiro e fama, dai-me a verdade. Sentei-me a uma mesa em que a comida era fina, os vinhos abundantes e o serviço impecável, mas faltava sinceridade e verdade e fui-me embora do recinto, inóspito sentindo fome. A hospitalidade era fria como os sorvetes."
Henry David Thoreau

Wallace Nunes
(escrito em mais uma noite sem sono)

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