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The freewheeling

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

(...)


“ O Inferno é um lugar cheio de maquinas de escrever, carimbos, e telefones funcionando ao mesmo tempo!”



 Era um salão gigantesco, tão grande que não era possível ver o final. Barulho de pessoas falando e pequenos ruídos que ao juntar tudo não era possível identificar de onde vinham e nem como eram produzidos. Ele entrou e logo viu milhares de mesas, com milhares de funcionários e milhares de pessoas em milhares de filas. Aquilo deixaria qualquer um confuso, e é claro, ele não escapou da confusão.
 Encaminhou-se a uma funcionária que ficava entre as filas, claramente ela estava ali para esclarecer, ele então decidiu perguntar:
-       Bom...dia?
-       Bom dia! – Ela respondeu
-       É... me encaminharam para cá, porque eu preciso de um documento para poder passar para outro estado.
-       Que documento senhor?
-       Não sei ao certo, uma espécie de autorização
-       Hmm... quem te enviou até aqui?
-       Um rapaz do setor marrom!
-       Ah, ok. O senhor tem todos os documentos necessários ai com o senhor?
-       Sim!
-       Cópias de todos os documentos?
-       Cópias?
-       Sim, para que possa ser emitida a autorização, é necessário documentos originais e cópias.
-       Mas pra que cópias se os originais já estarão presente?
-       Senhor, é o protocolo.
Ele suspira e diz:
-       Onde posso conseguir cópias?
-       No subsolo tem uma pequena tenda que presta serviço de cópia senhor.
-       Ok, muito obrigado.
-       Por nada!

Ele então foi em busca de um elevador, andou, e andou, e nada do elevador. Encontrou um homem de terno, parecia um segurança e então disse:
-       Com licença, onde tem um elevador para o subsolo?
-       Haha, elevador? Aonde você pensa que está? No “paraíso”?
-       É....não, só achei que havia um elevador...
-       Não, aqui vocês tem que andar de escada, que esta a poucos passos a sua direita!
-       Ok, obrigado!
O homem nem se quer respondeu.

Ele desceu as escadas, e parecia não ter fim, desceu e desceu, até que chegou, encontrou a tenda e uma fila gigantesca nela. Após horas de espera conseguiu tirar todas as suas cópias e na hora de pagar tinha apenas algumas moedas de prata, que foram aceitas como pagamento. Encaminhou-se a escada e voltou ao grande salão, procurou novamente a mulher das instruções, mas no momento ela estava ocupada, esperou, e assim que ela informou os outros transeuntes ele perguntou aonde deveria se encaminhar para conseguir a dita autorização, e ela disse:
-       Vá ao setor laranja, triagem
-       Ok!

 Se orientou por placas e encontrou o setor azul, mais alguns segundos perdido, e pronto estava na fila da triagem. Nem preciso dizer que ele perdeu mais algumas horas até ser atendido, mas finalmente conseguiu conversar com o rapaz:
-       Bom dia!
-       Bom dia – respondeu o jovem
-       Preciso de uma autorização para passar para outro estado
-       Quem te encaminhou?
-       Setor marrom!
-       Certo! Está com todos os documentos ai?
-       Sim!
-       Cópias?
-       Sim!
-       Ok, então me de seu R.G., CPF, CIC, CNH, Certidão, e Atestado.
-       Aqui estão – e passou todos eles pelo balcão,
-       Hmm...senhor, acho que esse Atestado não vai ser aceito.
-       Mas por que?
-       Bom, está em péssimo estado, vou ter que conferir com meu supervisor.
-       Por favor, estou a mais de 5 horas andando por esse lugar!
-       Aguarde um momento, vou conferir!
-       Ok!
O jovem saiu, e foi falar com o supervisor, demorou alguns segundos, e voltou com uma expressão meio triste.
-       Senhor será necessário solicitar um Atestado novo!
-       Mas eu não tive culpa, o maldito do Caronte me fez escorregar no barco e minha mão com o Atestado foi parar no rio por alguns segundos, a culpa é dele e não minha!
-       Lamento senhor. É o protocolo!
-       Então que se dane tudo, vou voltar para o meu outro estado!
-       Isso é impossível senhor!
-       Como é impossível? Eu vou pra onde eu quiser!
-       Na verdade não senhor! Esta é uma área de transição, quem entra só sai em outro estado!
-       Impossível, eu prefiro morrer
-       Senhor, seria redundante fazer isso novamente!
O homem desconcertado e revoltado se dirige até um banco e se joga, como um saco de batata, irritado por todo aquele estresse atoa ele fechou os olhos, e não conseguiu ter paz, naquele enorme salão milhões de pessoas falavam, milhões de carimbos batiam ao mesmo tempo, milhões de folhas de papel sendo manuseadas, milhões de maquinas de datilografar em funcionamento, e milhões de telefone tocando. Ele mal podia esperar para ir para o inferno!

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