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The freewheeling

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Conto do Homem Solitário


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    Havia um homem. Como todos os homens, ele tinha dois olhos, uma boca,  um nariz, cabelo e um corpo. Também tinha um tronco, quatro membros, dois inferiores e dois superiores. Havia uma família, irmãos, pais, primos, tios, e avós. Ele era um homem comum, apenas um homem.
  Ele levantava todos os dias logo cedo, e ele tinha um emprego, e como um fantasma ele andava até o ponto de ônibus, depois pegava um trem. Nesse caminho ele lia livros e revistas, ouvia musicas e partidas de futebol. Ele chegava ao trabalho, executava suas tarefas sem nunca se queixar, saia para o almoço, comia o que tinha, e depois voltava ao trabalho. Ao fim do dia, ele fazia todo o caminho de volta, um trem, um ônibus, e enfim sua casa. Lá ele tomava um banho, assistia um pouco de televisão, ouvia musica, ou lia livros, em seguida dormia. E no outro dia tudo começava novamente.
  Ele não via motivos para sorrir, ou para estar feliz, ele apenas vivia, respirava, e fazia o que tinha que fazer. Em seus olhos era possível ver que haviam apagado a chama daquela alma, ele era um homem triste e solitário. O homem solitário já fora em outro tempo um homem feliz e radiante, ele tinha até uma companheira, ele vivia feliz com ela, e quando o relacionamento acabou ele se sentiu triste  mas sabia que iria melhorar. Após alguns meses, ou quem sabe anos, ele conseguiu outra companheira que ele amava de verdade, ele viveu os melhores dias da vida, mas tudo acabou novamente, ele então desistiu do amor.
  Então ele decidiu apenas acumular amigos, e todos a sua volta eram seus amigos, ele conheceu uma mulher de terras frias, e ele gostou dela, eram bons amigos, até a amizade se tornar algo maior, e o carinho dele por ela ser maior, e esse carinho se tornou amor. Mas as terras frias eram muito distantes, e por fim ele desistiu, desistiu de viver o amor, o homem antes feliz e radiante agora se tornara uma casca oca, um homem murcho e triste.
 A partir desse momento ele esqueceu de tudo, esqueceu o amor, ele preferia não se pronunciar, ele engoliu cada um dos sentimentos que tentavam nascer naquele pequeno coração seco. Um dia o homem solitário não se levantou para ir trabalhar, e ninguém nem se quer sentiu sua falta, algumas semanas se passaram e nenhuma pessoa ainda sentira a falta do homem triste.
   Até que o dia de pagar o aluguel, o proprietário veio o chamar, ninguém respondeu então ele abriu a porta com a copia da chave,  ele viu, um homem morto, um homem seco, muito magro, como se estivesse a anos sem comer, ele estava caído e em seu peito havia um buraco,  o proprietário chegou mais perto, e dentro daquele buraco era possível ver uma casca seca e dela saia algo, algo colorido e lindo, algo que transmitia vida, então essa pequena criatura bateu suas asas, e borboleteou frente aos olhos do proprietário. Ele a acompanhou com os olhos, e ela saiu voando porta a fora num dia ensolarado.

(Stickertal)

sábado, 25 de junho de 2011

(sem titulo)

Correria, “Não me empurrem” eles gritam, se espremem, e se apertam, se empurrão e se sentam. Começa chacoalhar, rapidamente a cidade passa pelos olhos e depois de quarenta minutos chega a minha estação. Ainda não entendo porque andar sobre trilhos me agrada tanto.
(Stickertal)

sexta-feira, 24 de junho de 2011

(sem titulo)


Explodam a cidade, eu só quero dormir em paz, sem precisar gritar  “ Estou atrasado” e olhar meu relógio que só roda para traz.
 (Stickertal)

segunda-feira, 6 de junho de 2011